Kevin Spacey e Robin Wright em House of Cards

House of Cards: Final com um ritmo diferente

Finalmente a sexta, e última, temporada de “House of Cards” chega à Netflix em 2 de novembro deste ano. Acompanho essa série, que foi uma das primeiras séries originais da Netflix, e que fez um sucesso tão estrondoso a ponto de conquistar até o então presidente dos EUA Barack Obama, que pedia para ver os episódios antes da época de publicação alegando “falta” de tempo.

Infelizmente um contratempo quase acabou com a série antes dessa estreia, que foi o envolvimento de Kevin Spacey, o ator principal da série, em um escândalo de assédio sexual, que o fez ser despedido da série.

Digo infelizmente pois Frank Underwood, que é o personagem central da trama era quase impossível de ser substituído. O recurso utilizado pelos roteiristas foi trabalhar nos fatos ocorridos após a sua morte, e com isso o personagem passou a ser uma figura incorpórea que esteve presente em todos os episódios da ação. Uma presença inexorável que conseguiu ofuscar e limitar outros personagens da série além de enfraquecer a genialidade da trama.

Nessa temporada encontramos Claire () mais poderosa, agora no cargo máximo da política americana e mais sinistra, absorvendo a maldade e cinismo do marido somada a sua postura e frieza, mas sem perder nunca a pose ou a elegância que a deixava a mulher mais notável do elenco.

Agora temos flashbacks de sua vida, que explicam como ela veio a se tornar uma Underwood.

Tecnicamente a série veio novamente impecável: cenários como o Salão Oval e o quarto presidencial tiram nosso fôlego. Imagens em 4K e HDR fazem a televisão dar o máximo de si e o som está mais espetacular. O Som surround em 5.1 tem os canais de ação muito bem definidos, proporcionado um som tão detalhado que mostra o movimento dos veículos da direita para a esquerda ou vice versa e até dando o prazer ao telespectador de sentir as palmas da multidão nas caixas traseiras após um discurso inflamado da presidente.

A Netflix hesitou bastante antes anunciar que levaria adiante as gravações. Assumiu o desafio, mas no fim matou a essência central da série que era a trama política e a ambição por poder do casal Underwood.Tal desejo se mostrava em suas armações para se manter unidos, mesmo que sexualmente falidos, em uma fidelidade sólida e quase fraternal um pelo outro.

E não foi só isso: o enredo político perdeu a complexidade que tanto apaixonava na série. O roteiro que faz um esforço hercúleo para compensar a ausência de Francis Underwood, mas sem a presença dele, as coisas desandam em manobras absurdas, que forçam a inteligência do público que veio desde a primeira temporada se alimentando da aula de relações e politica politicamente incorreta oferecida pelo casal.

Podemos também citar foi à mudança do perfil da série e de seus personagens. A temporada tentou salvar sua trama utilizando-se de soluções sem credibilidade e bem simplistas, como a cena em que Claire foge do impeachment anunciando seu gabinete composto só de mulheres. Para ter uma dinâmica final forçada a série também transformou personagens como o estrategista Doug Stamper (Michael Kelly) num doido varrido e despreparado, cometendo erros típicos de estagiário.

Finalizando, vou dar a minha visão geral sobre essa Season Finale: A Netflix foi ousada em tentar tocar a série desta forma, mas infelizmente não foi feliz no resultado final (séries como “Spartacus” optaram por substituir o personagem, já “House of Cards” optou por matá-lo e curiosamente mantê-lo “vivo espiritualmente” contracenando em todos os minutos).

Claire fantástica, segurou bem as pontas, mas não aguentou o peso que caiu em suas costas. Vale a pena assistir para fechar a temporada, mas não esperem a complexidade e a densidade das temporadas anteriores.

Roberto Gleydson

Homem. Desenhista, técnico em informática, webdesign, Webmaster, programador e aventureiro nas horas vagas.

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