A gente olha pra esses bichos de apartamento, esses cães com nome e coleira, e pensa que a vida deles é fácil. Ração no pote, água fresca, um afago na cabeça. Uma vidinha segura e medíocre. Mas a coleira tem dois lados. Um te prende, o outro te protege de você mesmo. O que acontece quando ela arrebenta?
Escrevi um conto sobre isso. Sobre Bob, um labrador que achava que a liberdade era a rua, mas descobriu que ela é só um inferno maior e sem paredes. A história dele não é sobre um cão bonitinho. É sobre o primeiro contato com a maldade pura, a fome que rói e a solidão que devora a alma.
Tudo começou com a fuga de uma veterinária, um ato de rebeldia. O começo do fim foi assim:
“…Figuras humanas saíram da casa, transformadas em monstros com vassouras nas mãos. Correram atrás dele. Uma pancada seca atingiu suas costas. Uma dor que ele nunca havia conhecido. Não era a picada de uma agulha ou o aperto da coleira. Era a dor da maldade, deliberada, brutal. Uma explosão de fogo que o fez ganir e largar metade do seu tesouro para trás.
Ele correu. Correu sem olhar para trás, a dor latejando em seu corpo como um segundo coração. E foi então, no meio daquela fuga desesperada, que um novo sentimento, mais frio e cortante que a dor, o atingiu. Pela primeira vez na vida, Bob se sentiu completa e absolutamente sozinho…”
Este pedaço é só a primeira pancada. A queda é muito maior. Se você não tem medo de olhar para o abismo, o conto completo está no meu blog, esperando para te estragar o dia. A verdade raramente é agradável.
- Para Ler a História Completa: Se você é do tipo que devora as palavras leia a história completa em meu site subversivamente e veja o estrago:
Espero que “O Cão Idiota” não te derrube.
Um abraço, Gleydson.
