Conto: “O Zelador do Edifício Darke: O Preço do Turno da Noite”

Robert descobriu que no Centro do Rio, o desemprego é ruim, mas o "almoço" do prédio é pior.

Homem negro com expressão de pavor escondido em um armário de metal em corredor sombrio de prédio antigo, enquanto uma entidade feita de fumaça negra ataca outra pessoa ao fundo.

Robert observa do armário o destino trágico de Nonato nas mãos da entidade do Edifício Darke.

🖋️ Nota do Autor: Este conto faz parte do meu projeto literário Subversivamente.

O Edifício Darke parece um dente podre na boca do Centro do Rio. Um bloco de concreto e mármore de segunda categoria que sobreviveu à ditadura, aos planos econômicos e, por algum milagre, ao fogo. Eu estava lá porque precisava de quinhentos pratas e não tinha medo do escuro. Ou achava que não tinha. O zelador oficial, um tal de Nonato — esse Rio é cheio de Nonatos, todos com cara de quem comeu algo estragado e gostou — me entregou o molho de chaves com as mãos tremendo tanto que parecia que ele estava segurando um fio desencapado.

— Não olha pras câmeras do quarto andar, Robert — ele disse, com uma voz que tinha gosto de medo e cigarro de palha. — E se o elevador abrir no nono, você não entra. Você corre.

Eu ri. Enfiei o uísque no bolso interno do casaco e sentei na guarita. O Centro à noite é um cemitério de luzes de neon e vira-latas. Hum… sabe como é? O silêncio no Darke é diferente. É um silêncio que tem peso. Tipo uma bigorna suspensa por um fio de cabelo sobre a sua nuca.

Lá pelas duas da manhã, o monitor da câmera 04 deu um chiado. Eu olhei. Não deveria ter olhado. O corredor estava vazio, mas no final dele, perto do extintor, havia uma mancha. Uma mancha que tinha a forma de um homem, mas que parecia um buraco recortado na realidade. Era o preto mais absoluto que eu já vi, mais escuro que o fundo de uma garrafa de cerveja preta.

O elevador pantográfico — aquela antiguidade que range como um condenado — começou a subir sozinho. O painel marcava: 1… 2… 3… 4. Parou. Eu vi na câmera: a porta de ferro abriu com um grito metálico. A mancha entrou. Cinco minutos depois, o elevador começou a descer. Ele não ia para o térreo. Ele parou no subsolo. Onde eu estava.

Robert, você é um idiota, a voz sussurrou na minha cabeça, mas não era paranoia, era constatação. Ele não está jogando. Ele não quer te assustar. Ele quer o espaço que você ocupa.

🔓 Desbloquear o restante da história”

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