Fala, pessoal! Senta aqui que hoje eu preciso desabafar sobre uma das experiências mais frustrantes que já tive na frente de uma tela. Sabe aquele filme que todo mundo chama de “cult” mas que parece um teste de paciência? Então, vamos falar sobre ele.
1. Introdução: O Contexto
Sabe aquela sensação de que você está sendo enganado por uma embalagem bonita? 29 Palms, dirigido por Bruno Dumont, é exatamente isso. O filme chega com a pompa de ser um “Cinema de Arte” europeu filmado no deserto americano, prometendo uma experiência visceral e profunda. Dumont é um diretor conhecido por chocar e usar o silêncio como ferramenta, mas aqui ele parece ter confundido profundidade com tédio absoluto. A expectativa era de um roadmovie existencialista, mas a entrega foi algo que me fez, pela primeira vez nessa década, assistir o filme em 2x na velocidade.
2. A Sinopse (Sem Spoilers!)
A trama é simples — simples até demais. Acompanhamos David, um fotógrafo americano, e sua namorada francesa, Katia. Eles viajam em um jipe vermelho pelo deserto da Califórnia (o Joshua Tree e a região de Twentynine Palms) em busca de locações para um ensaio fotográfico.
O conflito central, teoricamente, é a falta de conexão entre os dois. Eles não falam o mesmo idioma (ele arranha o francês, ela o inglês), então a relação é baseada quase puramente no físico. Eles dirigem, comem, brigam por bobagens e transam em lugares isolados (o filme tem as transas com as caras mais bizarras EVER). O filme começa de verdade quando essa rotina de isolamento no deserto passa de uma aventura romântica para algo inquietante e hostil.
3. Análise Crítica: O Corpo da Resenha
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Roteiro e Narrativa: Olha, sendo muito sincero, o roteiro é praticamente inexistente. O filme não é “lento”, ele é parado. São sequências aleatórias que poderiam ser editadas em um vídeo de 15 minutos no YouTube sem perder absolutamente nada da história. É um deserto narrativo tanto quanto o cenário.
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Atuações e Personagens: Os protagonistas são pessoas comuns, mas o filme faz questão de mostrá-los de forma crua, às vezes até feia. As cenas de sexo são desoladoras, com expressões que sugerem mais um fardo do que prazer. Não há química, não há carisma e, honestamente, é difícil se importar com o que acontece com eles.
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Aspectos Técnicos: A fotografia das paisagens é, de fato, bonita. O deserto é imponente. Mas de que adianta uma moldura de ouro se a pintura é um borrão sem sentido? O som é composto basicamente pelo barulho do vento e do carro, o que reforça o vazio da obra.
4. O “Fator Hype” vs. Realidade
Existe uma técnica que vejo muito na Marvel hoje: o “shame”. Eles entregam um roteiro genérico, colocam algo polêmico e, se você critica, dizem que você é o problema. Em 29 Palms, o hype é o “selo de filme de arte”. Críticos independentes, como os da revista Contracampo, analisam o filme como uma “composição em abismo”, onde o deserto representa o vazio do próprio cinema pós-moderno.
Mas vamos falar a verdade? Muita gente tem medo de dizer que o rei está nu. O filme se esconde atrás de referências a Lynch, Antonioni e Wenders, mas não tem metade da substância deles. É a pretensão elevada ao cubo.
⚠️ AVISO DE SPOILERS: A partir daqui, vou falar sobre o final e as cenas polêmicas.
5. O Final Perturbador (Com Spoilers!)
Os 15 minutos finais são um desastre completo em termos de lógica. Do nada, surge uma caminhonete com homens que espancam David e o estupram na frente de Katia. É o choque pelo choque, uma estratégia “à lá Gaspar Noé”, mas totalmente gratuita.
Após a violência, David surta, raspa a cabeça (ficando idêntico ao Jason de Sexta-Feira 13) e mata Katia a facadas. Por quê? Sem motivação, sem nexo, sem construção. É um cataclismo civilizatório jogado na tela de forma grosseira. O filme tenta dizer que “o mundo não faz sentido”, mas termina apenas sendo um exercício de sadismo cinematográfico barato.
6. Conclusão e Veredito
29 Palms é um filme que se acha muito mais inteligente do que realmente é. É uma experiência visual que se perde no próprio ego do diretor.
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Público-alvo: Apenas para quem gosta de sofrer assistindo a “nada” ou para estudantes de cinema que precisam analisar o niilismo de Bruno Dumont. Se você busca entretenimento ou uma história com começo, meio e fim coerentes, fuja.
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Nota: 2/10 (Pelas paisagens, porque o resto é perda de tempo).
Encerramento: Não gaste 2 horas da sua vida aqui. Se quiser ver deserto e silêncio, coloque um protetor de tela do Windows e será mais produtivo. 😉
Prós e Contras
| Prós | Contras |
| Paisagens bonitas do deserto | Ritmo insuportavelmente lento |
| Fotografia realista | Final gratuito e sem nexo |
| Ousadia técnica | Falta de empatia com os personagens |
Encerramento: Não gaste 2 horas da sua vida aqui. Se quiser ver deserto e silêncio, coloque um protetor de tela do Windows e será mais produtivo. 😉
Imagem:
- Cena do filme 29 Palms (2003) – 3B Productions / Divulgação.
