Teoria louca em “Onde os Fracos não Tem Vez”: Ed Tom e Anton são Duas Faces da Mesma Moeda?

Uma teoria polêmica afirma que o xerife Ed Tom Bell e o assassino Anton Chigurh seriam um só, dois lados de uma mesma identidade. Seria um delírio pop ou um instigante olhar simbólico sobre o bem e o mal no filme dos irmãos Coen?

Dois homens semelhantes se encaram em um deserto ao entardecer, separados por um espelho que simboliza a dualidade entre bem e mal.

Navegando pelo redit e nos meus grupos de cinema no FaceBook, me deparei com uma interessante teoria que é muito louca e improvável, mas plausível, e que muda completamente o que vemos no filme. Veja se vocês concordam comigo:

A Teoria

No deserto árido do Texas filmado pelos Coen, o xerife Ed Tom Bell e o cruel assassino Anton Chigurh nunca se cruzam cara a cara. Com isso podemos postular que Chigurh seria um tipo de alter ego sombrio de Bell, simbolizando a “nova justiça” implacável que surge no lugar dos velhos métodos. Em muitos artigos de entretenimento que pesquisei, observa-se que “os dois (Bell e Chigurh) na verdade são a mesma pessoa” (como se fosse um thriller à la Clube da Luta) e que a narrativa sugere pistas sutis para isso, sendo algumas que os fãs destacam:

?? os nomes “Anton” e “Ed Tom” soam quase iguais foneticamente, como se jogassem outra luz sobre essa ideia.

?? Tem uma cena em que o xerife chega num quarto de hotel onde o Chigurh estava escondido. Antes de abrir a porta, o reflexo do Chigurh aparece na maçaneta. Ele percebe que alguém está entrando. Mas quando o xerife entra… o quarto está vazio. Ou seja: quem viu quem?

?? Os dois, em momentos diferentes, sentam na frente de uma TV desligada, bebendo leite e encarando o próprio reflexo. Meio simbólico, não?

?? O xerife se aposenta logo depois que o Chigurh consegue o dinheiro. Tipo: missão cumprida.

?? Ele sempre chega atrasado nas cenas de crime, como se estivesse fugindo de si mesmo.

?? Os dois nunca aparecem juntos em cena. Nunca.

?? A esposa do xerife diz pra ele não machucar ninguém.

?? E numa das falas mais marcantes, o xerife diz que Deus nunca entrou na vida dele, e que se ele fosse Deus, pensaria da mesma forma. Pesado.

Por outro lado, análises mais críticas e acadêmicas lembram que o filme explora deliberadamente a oposição moral entre Bell e Chigurh. Segundo estudiosos,

“a bondade essencial de Bell amplifica o mal de Chigurh por contraste”

ou seja, os Coen desenham Bell como um herói conservador e humanista para destacar a natureza alienígena e implacável de Chigurh. Em termos simbólicos, Ed Tom pode ser visto como a última defesa do bom velho mundo (a “justiça sentimental” que ele próprio confessa não entender mais), enquanto Anton personifica o caos e a aleatoriedade (ele próprio comparado a uma força da natureza). Esses comentários acadêmicos reforçam que o filme é estruturado como um “círculo de virtudes” invertido, onde cada personagem encarna valores opostos do que o outro representa.

Javier Bardem como Anton Chigurh, em um dos momentos mais tensos do clássico dos irmãos Coen.

Logo, embora a teoria de um único personagem seja fascinante e “alucinate” para muita gente, também enfrenta críticas óbvias. O próprio enredo dá indícios de que Ed Tom e Chigurh existem em planos distintos – por exemplo, Chigurh inicia preso, machucado e com um corte na testa, fatos que Bell jamais apresenta. Além disso, alguns cineastas e analistas apontam que a cena das sombras (conforme o diretor explicou depois) foi pensada apenas para ilustrar o receio de Bell, e não uma identidade secreta de Chigurh. Em última instância, essa dualidade imaginada dialoga com temas clássicos do cinema: o velho Oeste vs. o novo, o justo vs. o terrível, a luz e a escuridão dentro do mesmo homem.

Seja como for, discutir esse “yin e yang” cinematográfico enriquece a experiência de ver o filme, mostrando que “Onde os Fracos Não Têm Vez” continua a inspirar reflexões sobre alter-egos e o eterno embate entre bem e mal.

Fontes: Discussões de fãs e análises especializadas sobre No Country for Old Men.

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