Olá pessoal.
A busca pelo fone de ouvido perfeito é uma daquelas jornadas que parecem não ter fim. Sempre aparece um modelo novo no mercado prometendo revolucionar a forma como ouvimos o mundo.
Nesses últimos dias, resolvi sair um pouco da minha zona de conforto e dar uma chance a uma categoria que vem ganhando força: os fones abertos no estilo clipe (clip-on). Comprei o Lenovo TA410 por míseros R$ 42,18.
A proposta de manter os ouvidos totalmente livres me deixou curioso, então passei a semana com eles literalmente grudados nas orelhas para ver qual era a real desse conceito. Logo de cara, a estrutura chama bastante a atenção. Ele prende na lateral da cartilagem como se fosse um piercing gigante. A grande e inegável vantagem desse formato é a estabilidade. Pode acreditar que não cai da orelha em hipótese nenhuma. Se você estiver correndo para não perder o ônibus ou caminhando rápido pelas calçadas sempre lotadas do Centro, o fone continua lá, firme e intacto. É possível que essa seja a solução definitiva para quem tem dificuldade em encontrar borrachinhas que se adaptem ao canal auditivo.
A bateria também é uma verdadeira guerreira. São 25mAh em cada lado que rendem tranquilamente as cinco horas prometidas pela fabricante. Com os 250mAh do estojo de carregamento via cabo Tipo-C, a autonomia chega a quase um dia inteiro longe da tomada. A conexão com o Bluetooth 5.4 é muito rápida e incrivelmente estável.
O visual, no entanto, acaba sendo um ponto de divisão. Eles não são nada discretos. Ao andar pelas ruas, você fica parecendo um ciborgue saído diretamente do universo caótico de Cyberpunk 2077 ou um personagem que esqueceu de tirar o comunicador da Frota Estelar depois do expediente.
Mas vamos ao que realmente interessa. O som é, no mínimo, estranho. A proposta de um fone aberto é justamente deixar o canal auditivo livre para que você possa escutar o trânsito e a movimentação urbana. A consequência direta disso é um impacto severo na qualidade musical. Ouvir uma música bem produzida no TA410 é como tentar assistir à fotografia grandiosa de Duna em uma televisão minúscula de tubo ou em um Smartphone de 5 polegadas com a tela trincada. Falta imersão. Não tem graves. Os agudos são tão proeminentes que chegam a incomodar. O volume geral é baixo e, mesmo forçando a potência máxima do celular, a música soa magra e distante.
Tudo isso parece indicar que o foco do produto é outro. Se você consome muitos podcasts ou audiobooks, a experiência muda de figura. A clareza das vozes é nítida. É um equipamento que quebra um galho imenso para quem passa horas ouvindo entrevistas ou debates durante o expediente.
O teste de fogo aconteceu no transporte público. Andar nas ruas ouvindo as buzinas é fantástico para a segurança, mas o problema começa quando o ambiente fica ruidoso demais. Pegar o metrô na hora do rush foi uma experiência bem frustrante. O estrondo dos trilhos e o falatório dos vagões abafaram completamente os fones, fazendo com que eu perdesse o fio da meada do podcast. Existe ainda um efeito colateral inverso: nos locais silenciosos, o vazamento de áudio é alto. Se você estiver em uma sala de espera quieta, quem estiver sentado ao seu lado vai escutar exatamente a sua playlist, tirando qualquer privacidade. 😉
Sendo bem sincero, essa experiência só me fez valorizar ainda mais o meu equipamento principal para uso externo. Para os momentos em que estou me deslocando pelas ruas do Rio de Janeiro eu não abro mão dos meus fiéis monitores in-ear KZ AS16 Pro conectados ao adaptador Bluetooth KZ AN01. É uma categoria totalmente diferente de imersão. O modo transparência desse adaptador faz um trabalho muito inteligente: ele grava os sons do ambiente, filtra as frequências, amplifica e toca junto com a música. É como ter um superpoder de audição igual ao do Demolidor. Você entende o que acontece ao redor, mas não perde a batida profunda e envolvente da música.
O Lenovo TA410 tem o seu valor pela segurança no encaixe e pela conexão impecável. Contudo, se a sua prioridade é fidelidade sonora para relaxar, a engenharia tradicional ainda reina absoluta.
Referências:
- Open Wearable Stereo (OWS) Technology and Ear Health – Audio Engineering Society (AES) Insights
- Especificações Técnicas de Fones Abertos e Bluetooth 5.4 – Bluetooth SIG
- Como funciona a Condução Aérea Direcional em fones clip-on – SoundGuys: Open-ear headphones explained
- Sobre a Estabilidade e Autonomia do Bluetooth 5.4:
Dados técnicos sobre o padrão Bluetooth 5.4 atestam que as atualizações recentes (como o PAwR) foram desenhadas exatamente para melhorar a estabilidade em ambientes com muita interferência e reduzir drasticamente o consumo de bateria.
Fonte: TechRadar – What is Bluetooth 5.4? Everything you need to know - Sobre a Falta de Graves e o Vazamento de Som (Características Open-Ear):
O som “magro”, sem graves e o fato de as pessoas ao lado ouvirem a música é uma limitação física comprovada dessa tecnologia. Como o driver não veda o canal auditivo, as frequências baixas (graves) se dissipam no ar antes de chegarem ao tímpano.
Fonte: PCMag – The Best Open-Ear Headphones and Their Limitations - Sobre a Segurança Urbana e Consciência Situacional:
Organizações de segurança e mídias voltadas para esportes urbanos recomendam fortemente o uso de dispositivos que não bloqueiam o canal auditivo para manter a percepção de buzinas e aproximação de veículos.
Fonte: Runner’s World – The Best Open-Ear Headphones for Running Safely - Sobre o Isolamento Superior dos Fones In-Ear (KZ AS16 Pro):
A conclusão de que fones In-Ear entregam mais imersão e são melhores no metrô devido ao bloqueio passivo de ruído é um consenso audiófilo. Fones in-ear agem como tampões de ouvido, criando uma câmara acústica fechada que valoriza os graves e bloqueia o ruído externo.
Fonte: Audiophile On – IEM vs Earbuds: What’s the Difference?






